
Hoje fui cagar.
Durante esse belo acto, dei comigo a pensar: quando o rolo de papel higiénico acaba, o que é que as pessoas fazem com os tubos de cartão que vêm no interior?
Na maioria dos casos, avistar aquele rolo de cartão é sinal de pânico, exactamente por não haver mais papel. Ora, o rolo de cartão, ao ver-nos entrar em pânico, deve pensar: «Olha, este 'tá fodido!»
Para mim, o pequeno tubo de cartão é uma criatura stressada, que passa dias em agonia, a ver o que acontece ao papel higiénico e a prever o pior. Quando chega a vez dele e não usamos para o mesmo fim que o papel higiénico, o rolo de cartão deve ficar sem perceber o que se passou. Uma sensação de alívio seguida de estranheza por não ter sido usado. É capaz de pensar que tem algum defeito.
Isto poderá até ser polémico, porque ao reparar que o resto do rolo é branco e ele mais escuro, o pequeno rolo de cartão pode mesmo chegar a pensar que tal rejeição se trata de racismo.
Ainda hoje, como disse, fui cagar. Apesar de ter acabado o papel, consegui limpar-me como deve ser, mas lá ficou o rolo de cartão a olhar para mim com cara de mau, e mesmo antes de sair ele disse-me:
- Racista! Os mais escuros são sempre marginalizados… nem para limpar cús nos querem!
"Portugal assume outro papel na Europa.
Mais higiénico.
Mais absorvente.
Já não estamos na cauda da Europa.
Agora limpamos a cauda da Europa.
E isso é motivo de orgulho.
Para todos nós."