
Estive umas boas semanas afastado. Para acalmar muitos dos que insinuaram e questionaram, não, a fonte não secou. Estou aqui.
Não pertendia revelar muito o meu eu, nem revelar actividades extra-blog, como revelar o facto de ser aluno universitário. Mas estas semanas fui muito à faculdade, nos dias em que se vai mais... aliás, os dias que se vai de todo. Os dias de exames. Sou da espécie estudantil que tenta sobreviver ferozmente no percorrer da vida animal universitária, uma espécie em vias de completa extinção, o "Baldas". Sou o anormal que não vai às aulas, que passa figuras de parvo quando lhe pergutam o que se deu na última aula e que anda à caça de todo o tipo de apontamentos possíveis de se encontrar que estão na posse dos "Cromos". Esta espécie é o oposto do "Baldas". Tem tudo apontadinho, sendo a grande fonte de alimentação do "Baldas". Muitos "Cromos" já fazem apontamentos especiais para os "Baldas" se servirem deles. É desses apontamentos que os "Cromos" fornecem que eu ando sempre à caça. Sou um baldas com sucesso. Engraçado é superar os próprios "Cromos" que nos fornecem os apontamentos nas notas finais.
Bom, este frenesim diário de deslocações em transportes públicos até à faculdade dá-nos uma inspiração fantástica. Vê-se um pouco de tudo. Nos primeiros dias optei pelos headphones para me distrair, mas num dia em que a bateria falhou fui obrigado a ouvir a banda sonora da vida. Velhas estridentes, jovens estudantes, homens da construção civil, empresários com telemoveis de última geração a falar muito alto e muitos outros exemplos de músicalidades quotidianas.
Aprendi com esta experiência que os portugueses têm um pouco de dislexia na fala.
Têm sérias dificuldades em falar correctamente o nosso belo idioma (engraçado seria eu por acaso ter erros nesta frase ou no resto do texto, não lhes deêm importância). Eu delicio-me com certos "bitaites" e sotaques. O que mais me irrita é o "s" na segunda pessoa do singular em alguns verbos como "fostes", "viestes", "arranjastes" e por aí fora. Decidi parar com exemplos porque já me estava a sentir mal, para além disso os "Gatos" já falaram sobre este problema num scketch e não quero saturar essa ideia.
Vou passar a citar as palavras que os portugueses mais sentem dificuldades em dizer correctamente, e à frente o modo como é dita (uma delícia):
- Programa _ "Pugrama";
- Camião _ "Camion";
- Telefonar _ "Tufonar";
- Gasoleo _ "Gasoile";
- Televisão _ "Tuvisão".
É aterrorizante a frequente utilização destes termos por maior parte da nossa população que utiliza transportes públicos e não só. Imaginem, numa só conversa um homem pode munir-se com todos estes termos. É de arrepiar. Senão vejam, "Hoje «tufunei» à minha Maria para ir ver o «pugrama» que vai dar na «tuvisão», peguei no «camion» e fui meter «gasoile» e fui buscar a «Maria»"
Isto para não falar do número 13. Digam lá... isso. Ai espera... Nanny, não Nanny, não se diz "treuze", diz-se treze. Muito bem. Vamos lá ver, treeeeze. Impecável. Não metam o "u" nessa salganhada por favor. Obrigado.
Atenção: Eu gosto da Nanny.
~Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias~