
Ontem cruzei-me na rua com um amigo, acompanhado de uma mulher absolutamente fantástica, mas qual não foi o meu espanto quando vi que ele estava com a cabeça enorme, perfeitamente redonda e laranja. Tentei não me mostrar surpreendido com a cabeça – como se isso fosse uma coisa natural -, e também com a mulher atraente com quem ele estava, mas não pude deixar de perguntar, “Então, como é que vai essa cabe… vida?”
- “Pois, cá ando com esta cabeça enorme e laranja.”
- “Mas como é que isso aconteceu?”
- “Se eu te contar não vais acreditar.”
Mas eu não ia ficar por ali, insisti e ele lá contou.
- “Pronto, está bem. Eu encontrei uma lâmpada mágica com um génio lá dentro. Eu estava meio céptico ao inicio, mas depois lá esfreguei aquela porcaria como um idiota e o génio lá saiu. Ah, e já agora, os génios não são assim tão paneleiros como os filmes e os desenhos animados os fazem parecer. Eles na verdade são pessoas normais, como tu e eu, tirando o facto de eu agora ter esta cabeça enorme e laranja… enfim.”
Eu, que até então mantive profundo silêncio, vi-me obrigado a mandá-lo calar. “Epá, pára lá com isso, conta o essencial.” Ele prosseguiu a explicação.
- “Pronto, está bem. Como disse, lá esfreguei aquilo e o génio apareceu. Tal e qual como nas histórias que se contam, ele estava a postos para me conceder três desejos e deu-me tempo para reflectir bem naquilo que mais queria na vida.”
- “O que foi que pediste?”, perguntei já em desespero.
- “Bem, como primeiro desejo pedi 1 milhão de euros. O génio lá levantou o braço direito com o indicador apontado para o céu, disse uma palavra mágica e do nada **puf**, ali estava uma mala cheia de notas de 500. A mala era bonita por acaso, tinha rodinhas e uns puxadores bem janotas…”
Ele mostrou-me o dinheiro e tudo. Fiquei impressionado, mas continuava curioso sobre a cabeça.
- “O segundo desejo foi mais fácil que o primeiro. Pedi ao génio a que me desse a mulher mais bonita, interessante, inteligente e apaixonada do mundo.”
Foi precisamente nesse momento que ele me apresentou a mulher que estava ao seu lado. Realmente tratava-se de um mulherão impossível de ser vista ao vivo. Boa, boa, boa, boa e boa.
- “Isso é incrível! Tu agora és rico e tens esta linda mulher ao teu lado? Mas espera lá… ainda não me explicaste essa cabeça laranja.”
- “Pois, foi exactamente nesse ponto que eu acho que meti água”, disse o meu amigo com uma expressão nitidamente triste. Mas ele lá continuou.
- “Para o meu terceiro desejo, eu pedi uma cabeça grande, redonda e laranja.”












